História do LSD - Parte 1


Sandoz e o Ergot

Ao longo de décadas a farmacêutica suíça Sandoz, fez diversos estudos e pesquisas com o Esporão do Centeio, um fungo que contamina os grãos do cereal.

 Durante séculos o Ergot, como é chamado, foi causa de diversas  pestes causando gangrena, convulsões e até morte.


 Acontece que apesar dos efeitos negativos causados por este, haviam diversos alcaloides que quando isolados poderiam ser de grande utilidade para a medicina, o que levou então a diversas pesquisas com o material.

 Quando Albert Hofmann começou suas pesquisas com Ergot ele já estava em torno dos seus 30 anos de idade. Ele trabalhava para a Sandoz em busca de algo que pudesse ser de valor comercial para a empresa. 


 Em 1938, após diversas modificações dos alcaloides do Ergot, na sua 25° produção Hofmann produziu pela primeira vez na história a Dietilamida do Ácido Lisérgico, o LSD-25.

 O LSD vem da combinação do radical comum a todos os alcoloides do Ergot, o Ácido Lisérgico, em combinação com a Dietilamida. Essa ideia de combinação vem pelo já conhecido efeito no Sistema Nervoso Central pela "Dietilamina do Ácido Nicotinico", o qual indicou uma possível atividade ao cientista.

 No entanto, após serem feitos testes em animais, não foi notado nada em especial com o LSD, o que acabou fazendo com que a molécula fosse descartada dos estudo e ficasse esquecida nos arquivos da empresa.


O Dia da Bicicleta - 19 de Abril de 1943

 Foi só em 16 de Abril de 1943, após sentir uma estranha intuição, que Albert Hofmanm decidiu reproduzir o LSD; algo que não era comum nos procedimentos da farmacêutica, uma vez que a substância já havia sido testada e não indicou nenhum efeito de interesse.

 E graças a esse feito incomum do cientista, por acidente ele se "intoxicou" com a molécula e percebeu que havia algo de especial nela.

 Dois dias após isso, Hofmann voltou ao laboratório e tentou tomar o que ele acreditava ser um dose ínfima da substância, 250 microgramas. Acontece que essa dose era até alta para o LSD, sendo que a maior parte das substâncias fazem efeito nem aos 1mg. E o LSD faz efeito em até um décimo disso. 

 Hofmann começou a notar uma certa embriaguez e efeitos visuais intesos. Cores vivas e pulsantes, efeitos espelhados, etc.

 Logo ele decidiu ir pra casa e pediur ajuda a sua assistente, e então houve um dos maiores marcos da história psicodélica. Hofmann foi para casa de bicileta devido às restrições de automóveis da época, após isso o dia 19 de abril passou a ser então o dia da comemoração da descoberta do LSD, "O Dia da Bicicleta". 


 Chegando em casa ele acreditou estar realmente intoxicado, o que se justifica quando consideramos os efeitos das pestes por contamincação de Ergot. A primeira viagem de LSD da história foi em maior parte uma Bad Trip. Mas após algumas horas, o efeito começou a baixar e Hofmann pode notar toda a beleza trazida pela experiência, e notou que havia algo de muito especial na substância. 


As primeiras produções de LSD em larga escala

Após descobrir os efeitos quase que mágicos do LSD, Albert Hofmann convidou seus pares a provarem a substância também. 

 Os colegas de Hofmann duvidaram se não havia ocorrido algum erro na dosagem, todos ficaram impressionados com a possibilidade de uma substância ser ativa em microgramas, algo nunca visto até então. 

 Então Arthur Stoll, chefe do Hofmann, e também alguns outros colegas experimentaram o LSD e todos perceberam se tratar de algo de grande valor, bastava só descobrir como utilizá-lo

 A Sandoz começou a produzir em grande escala o LSD em duas formas principais:

 - Pílulas contendo 25 microgramas.

 - Ampolas com 100 microgramas em solução líquida.




 Ambos para uso oral, podendo ou não a solução líquida ser usada por via intravenosa.

 Como eles ainda não sabiam propriamente como utilizar o medicamento, decidiram distribuir de forma gratuita mundialmente para qualquer psiquiatra ou psicólogo que tivesse interesse em testar a substância, pedindo apenas que enviassem de voltar suas conclusões e que indicassem possíveis usos terapêuticos. 


De "Psicomimético" a um Psicodélico

 Quando psiquiatras como Humprey Osmond começaram a fazer experimentos com o LSD, uma das principais percepções que tiveram era de que o efeito gerado se aproximava muito com a descrições de seus pacientes que sofriam com esquizofrenia e psicose; no entanto ao experimentar eles mesmo a molécula perceberam que era algo muito mais belo e significante do que qualquer tipo de distúrbio. 

 Aos poucos eles notaram também que os pacientes sob efeito de LSD eram muito mais capazes de acessar o material do inconsciente, podendo então trabalhar diversas questões psicológicas que anteriormente causavam angústia e sofrimento. Aos pouco entenderam que o LSD era uma ótima ferramenta pra ser utilizada junta a terapia analítica.

 Perceberam não só que poderia servir como catalizador processos psicológicos, mas também que abria e aflorava intensamente a criatividade de artistas após o efeito passar, levando a belíssimas criações artistas inspiradas pelo efeito do LSD.

 E ainda, como se já não bastasse isso tudo, era frequente que houvessem relatos de experiência de cunho místico e espiritual; experiências de transcendência, visões de seres e símbolos dos mais variados, etc. 

 Mas foi só no final da década de 1950 entre troca de cartas do autor Aldous Huxley e o psiquiatra Humprey Osmond que a palavra "Psicodélico" surgiu primeira vez; Osmond disse:

"Para sondar o inferno ou elevar-se ao angélico , tome uma pitada de psicodélico"

 A palavra é composta de duas partes principais: psyche do inglês, sendo a mente ou alma; e delos do grego do grego significando manifestar/tornar presente.

 Após isso o termo ganhou popularidade e é até hojé carrega parte da mística e profundidade que traz uma experiência com LSD, ou qualquer outro psicodélico.


Continua na Parte 2...

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